{Coluna} Uma Lente no Autor: J. K. Rowling


Esses dias me perguntaram sobre o que eu achei do livro “O Chamado do Cuco” e respondi francamente que não foi um dos meus favoritos; sua continuação, entretanto, “O Bicho da Seda”, chamou muito mais a minha atenção e deixou-me muito mais instigada e satisfeita com a leitura, além de ansiosa pelas novas aventuras do detetive Cormoran Strike e sua fiel secretária. A diferença entre um e outro não foi a trama nem o modo como a história foi contada mas sim, algo que precisa pegar o leitor de cara: a paixão pelo personagem. Como no segundo livro eu já conhecia os personagens principais da trama, foram suas subtramas que mantiveram meu interesse na história – que é muito boa, aliás!

Robert Galbraith ou, minha querida J.K. Rowling consegue, assim como outra de minhas escritoras favoritas, Marion Zimmer Bradley, fazer do “antes e depois” da vida dos personagens algo fascinante: ela nos instiga a pensar como ele e a analisar o mundo pelo seu ponto de vista. A trama é importante, claro, mas em seus livros, a maneira como uma simples chamada telefônica desestabiliza um casal, ou uma escapada de um acidente de trânsito revela mais da personagem do que um simples diálogo mostra o quão hábil J.K é na composição de seus personagens. Seria esta a sua marca?

{Resenha} O Contrato



Título: O Contrato (O Contrato #1)
Autor: Melanie Moreland
Editora: Pandorga
Tradução: Alline Salles
ISBN: 9788584422029
Número de Páginas: 272
Ano: 2017
Classificação: 
Skoob

Um tirano de dia, um playboy de noite. Essa é a reputação de Richard VanRyan. Ele vive a vida do jeito que quer, sem se preocupar com a opinião dos outros. Ele não se importa com ninguém, é completamente impenitente e não tem vontade de mudar seus modos.
Katharine Elliott trabalha para Richard como sua assistente. Ela despreza a ele e seus modos questionáveis, mas aguenta todo o lixo que ele joga em seu caminho, porque ela precisa do trabalho. Seu objetivo final é muito mais importante do que o abuso diário e exige que ela tolere seu chefe tirano e desagradável.
Até o dia em que ele lhe pede algo que ela nunca esperou. Um novo papel com um contrato pessoal - noiva, em vez de assistente.
O que acontece quando duas pessoas que se detestam, têm de viver juntos e agir como se eles estivessem apaixonados?
Faíscas.
Isso é o que acontece.
O poder do amor pode realmente mudar uma pessoa?
Será que eles vão sobreviver ao contrato?
O que você faz quando a pessoa que mais odeia torna-se a única que você não pode viver sem?
 
Sabe aquele livro que te faz rir e chorar? Que te leva a pensar sobre a vida? O Contrato é um desses achados. Fiquei completamente apaixonada pela estória de Richard e Katherine e a forma como a autora de forma gradativa retratou e aproximou esses dois personagens em uma jornada cheia de lições sobre a vida e a forma como as vezes para não se machucar acabamos machucando quem está próximo da gente.

{Resenha} O Sol na Cabeça



Título: O Sol na Cabeça
Autor: Geovani Martins
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535930528
Número de Páginas: 122
Ano: 2018
Classificação: 

Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.
Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais.
Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.

O Sol Na Cabeça tem gerado bastante burburinho, não é à toa que já foi vendido para oito países e teve seus direitos vendidos para se tornar uma adaptação audiovisual. Não costumo ler muitos livros de contos, porém, ao receber o livro da Companhia das Letras, Geovani Martins me fez dar uma repensada, apresentado contos de uma realidade carioca de uma forma bastante impressionante e envolvente.

{Crítica} Com Amor, Simon



Quando um livro favorito seu vai virar filme, uma mistura de animação e apreensão surge, pois adaptação é algo um tanto polêmico quanto qualidade (e dificilmente agrada todo mundo). É muito difícil um filme conter tudo (ou quase tudo) o que se tem no livro, mas há casos em que a história é totalmente deturpada (alô, Percy Jackson!). Eu estava assim quando soube que teria filme de Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, publicado pela Intrínseca, que se chama "Com Amor, Simon", mas, felizmente, o resultado me deixou muito feliz.

O filme segue o padrão high school americano adolescente, com um grupo de amigos na escola, com seus problemas, paixões secretas, dificuldade em expressar sentimentos, sexualidade e etc. Simon é o nosso protagonista que está se descobrindo quanto à sua sexualidade, sem muitos conflitos, porém mantém em segredo, menos para um garoto com quem troca emails, por quem começa a ter sentimentos, que também é gay e estuda na mesma escola que ele, que utiliza o nome Blue, para manter sua identidade.

Infelizmente, um dia, Simon deixa seu email aberto e Martin, um colega de escola, vê seus emails com Blue, descobrindo seu segredo, então passa a chantageá-lo, com o objetivo de Simon ajudá-lo com um amiga por quem sente atração. É a partir daí que as coisas começam a se desenrolar, gerando problemas, confusões e muitas reflexões por parte do nosso protagonista, que se encontra encurralado.

{Resenha} O Homem de Giz




Título: O Homem de Giz
Autor: C. J. Tudor
Editora: Intrínseca
Tradução: Alexandre Raposo
ISBN: 9788551002933
Número de Páginas: 272
Ano: 2018
Classificação: 

Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.
Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás.
Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.

Sendo thriller um dos meus gêneros favoritos, eu não poderia deixar de conferir O Homem de Giz, principalmente depois de indicado para fãs de obras do Stephen King, como It, e de séries como Stranger Things. Como livro de estreia de C. J. Tudor, a autora teve um ótimo começo no meio editorial, nos entregando um ótimo suspense.

{Resenha} A Sutil Arte de Ligar o F*da-se



Título: A Sutil Arte de Ligar o F*da-se
Autor: Mank Manson
Editora: Intrínseca
Tradução: Joana Faro
ISBN: 9788551002490
Número de Páginas: 224
Ano: 2017
Classificação: 


Chega de tentar buscar um sucesso que só existe na sua cabeça. Chega de se torturar para pensar positivo enquanto sua vida vai ladeira abaixo. Chega de se sentir inferior por não ver o lado bom de estar no fundo do poço.
Coaching, autoajuda, desenvolvimento pessoal, mentalização positiva - sem querer desprezar o valor de nada disso, a grande verdade é que às vezes nos sentimos quase sufocados diante da pressão infinita por parecermos otimistas o tempo todo. É um pecado social se deixar abater quando as coisas não vão bem. Ninguém pode fracassar simplesmente, sem aprender nada com isso. Não dá mais. É insuportável. E é aí que entra a revolucionária e sutil arte de ligar o foda-se.
Mark Manson usa toda a sua sagacidade de escritor e seu olhar crítico para propor um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos nossos limites. E ele faz isso da melhor maneira. Como um verdadeiro amigo, Mark se senta ao seu lado e diz, olhando nos seus olhos: você não é tão especial. Ele conta umas piadas aqui, dá uns exemplos inusitados ali, joga umas verdades na sua cara e pronto, você já se sente muito mais alerta e capaz de enfrentar esse mundo cão.
Para os céticos e os descrentes, mas também para os amantes do gênero, enfim uma abordagem franca e inteligente que vai ajudar você a descobrir o que é realmente importante na sua vida, e f*da-se o resto. Livre-se agora da felicidade maquiada e superficial e abrace esta arte verdadeiramente transformadora.

Confesso que tenho um preconceito com livros de autoajuda, pois normalmente, no meu ponto de vista, falam coisas um tanto utópicas que acabam sendo massageadora de egos e bastante otimistas, não condizendo totalmente com a realidade em que vivemos, mas o título "A Sutil Arte de Ligar o F*da-se" me interessou, principalmente por apresentar uma proposta bem diferente das quais já estamos acostumados no gênero. O livro de Mark Manson, através da curiosidade, acabou se tornando uma grande surpresa positiva.

{Crítica} Aniquilação




Aniquilação (Annihilation), baseado no livro de mesmo nome de Jeff Vandermeer, o mais novo filme de Alex Garland, roteirista de Extermínio (28 Days Later), Sunshine, e Ex Machina, que também o dirigiu, conta a história de uma bióloga que aceita uma missão secreta do governo para tentar descobrir o que aconteceu após a queda de um meteoro que vêm alterando as leis da natureza do local onde se encontra.

Se você viu Ex Machina e pensou em algum momento como o filme poderia ser "lento", Aniquilação não é um filme para você. O diretor não tem pressa em "contar" o que está acontecendo, e muito bem-posto entre aspas, pois o diretor também não se importa em te explicar o que aconteceu. É pré-estabelecido que um meteorito atingiu alguma parte dos Estados Unidos e que a partir disso um campo luminoso surgiu em volta do mesmo. Por conta disso, o diretor aproveita e brinca com teorias envoltas pela ciência.